No mundo de hoje a dificuldade de convivência social é muito difícil.
Quando me refiro ao "mundo de hoje", quero dizer em relação a outros
tempos. Não que eu tenha nascido "há 10.000 anos atrás" e que "não têm nada nesse mundo que eu não saiba demais".
Mas, nesses anos que já vivi, tenho visto um exagero na definição de
"preconceito". Esse exagero está espelhado no montante de processos e de
"críticas" infundadas na mídia e no próprio cotidiano das pessoas.
Me
pergunto se esse "preconceito" tão mencionado na mídia não está inato
nas próprias pessoas que supostamente sofrem esse "preconceito". Vejam
bem, com isso, não quero afirmar que não exista o verdadeiro
preconceito, no qual se baseia em conceitos pobres e sujos da pessoa que
a cria, mas nesse "preconceito" turbinado pela ânsia de vingança das
pessoas em descontar a raiva do seu dia a dia, em fatos desconhecidos ou
pouco conhecidos, apenas por serem divulgados com poucas ou até mesmo
nenhuma base de fundação.
Em um país como o Brasil, parece ser
piada vermos uma notícia na imprensa sobre "preconceito". Isso não
porque somos miscigenados, ou somos socialmente mistos em termos
capitalistas, mas pelo fato de que definitivamente somos avaliados pelo
que temos (poder ou dinheiro), não somos avaliados pela cor, pela
nacionalidade, ou pelo gênero sexual, mas simplesmente pelo que temos.
Claro que isso não é universal, é uma opinião minha, mas, creio que a
tendência do Brasil, é culpar tudo e todos por tudo que acontece de
desagradável a cada brasileiro.
É óbvio que existem casos
isolados e até específicos desse preconceito que a mídia anseia tanto em
explorar, mas vamos analisar do seguinte modo: o que mais me incomoda?
Ser chamado por algo que não gosto, ou ser chamado por algo que penso
que sou? E se sou, por que fico chateado? E se não sou, por que fico
chateado? Ora bolas, se um desconhecido que não tenho vínculo algum, e
isso resulta em neutralidade de sentimentos para com essa pessoa, por
que eu haveria de me ofender se o mesmo me chama de gordo, baleia, ou
papel ofício por ser branco demais? Racionalmente eu não tenho motivo
algum para querer processar essa pessoa, pois voltando às premissas
anteriores: se sou isso que ele disse, não estou nem aí. Se não sou nada
disso, devo muito menos levar em conta, ignorar. É aí onde entra o
inatismo que me refiro, se o fato de ser gordo, barrigudo está
intrínseco na minha mente, e dessa forma, o incômodo é eminente a
qualquer referência feita, com certeza isso vai me incomodar. Mas de
quem é a culpa desse incômodo ou ofensa? Do cara que cuspiu essas
bobagens e futilidades? Não, a culpa é minha por levar em consideração o
que esse desconhecido falou sobre minha pessoa. Por isso o preconceito
maior vem de nós mesmos, e não de quem aplica esse preconceito.
Alex F. A. Oliveira
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